terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nota solta...

Não sendo economista nem tendo qualquer formação nenhuma nessa área, acho que o pior sinal que o governo americano podia emitir era criar esta escapadela de $700 biliões em troca de acções de empresas falidas.

Primeiro há questões ainda por responder e o FBI neste momento está a investigar a possível hipótese de fraude ou de uso irresponsável de fundos.

Segundo, o mercado tem o seu próprio sistema imunitário e o Barclays plc por exemplo já adquiriu alguns bens da Lehman's e tem em vista obviamente torná-los lucrativos.

Terceiro, gera estímulo para que aconteça mais do mesmo, ou seja fará com que os maus gestores continuem a perder dinheiro e que o crédito de alto risco continue a ser concedido.

Lógico que a seguir ao anúncio deste "bail out" as bolsas subiram a pique no dia seguinte mas a consequência a longo prazo pode ser pior.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Religião

Segundo um artigo do Telegraph, a Igreja Anglicana pede desculpa a Darwin por o ridicularizar aquando da sua publicação sobre a evolução das espécies.

Nem sempre a ciência e a religião se têm dado bem ao longo da história. A melhor maneira de as conciliar é garantir que uma não invada o terreno da outra. A última invocação de Deus num artigo científico data do século XVIII. A partir daí a divindade deixou de ter papel na ciência como modo de explicação dos fenómenos naturais.

Por cá a religião já é tacho político. Mário Soares preside a comissão para a liberdade religiosa. Seria de esperar que alguém entendido em teologia ou fizesse parte do diálogo ecuménico fosse o escolhido para integrar uma comissão deste género. Em vez disto um socialista laico que não sabe o que fazer com o tempo livre tem um lugar garantido pelo executivo de Sócrates.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Sarah Palin

Parece que os republicanos tiveram a coragem de fazer aquilo que os democratas foram tímidos demais para fazer. Escolher uma mulher como candidata para um cargo presidencial.

Sarah Palin é a nova candidata vice-presidencial que irá concorrer com John McCain.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

Republicano laico e socialista


Esta bela foto da Comissão Eleitoral de unidade democrática a oposição ao antigo regime tem uma estátua familiar por detrás de Mário Soares. Haverá dúvidas que os socialistas são os herdeiros da 1ª república ?



Subitamente a república de bela musa transforma-se numa velha sem graça...


Desci o poço da sabedoria.

domingo, 3 de agosto de 2008

Brasões

Interessante o que se consegue fazer no Corel draw. Actualizei o meu site: www.monarchia.org




terça-feira, 29 de julho de 2008

Sobre monárquicos

Na entrevista que Marcelo Rebelo de Sousa deu ao Magazine Grande Informação este afirma "os nossos monárquicos - com raras e honrosas excepções - foram mais legitimistas e integralistas do que liberais [...] restaria encontrar à direita um espaço redescoberto ou reconstruído de monárquicos liberais [...]".
Sobre esta afirmação é custoso admiti-lo mas é verdade.

Os monárquicos nunca recuperaram da guerra civil que dividiu as duas causas e ao contrário do que sucedeu em Espanha as divisões não sararam com o tempo, agravaram-se até com a instauração da república tendo os ministros e todo o corpo do executivo revelado uma impotência geral em acalmar insurreições armadas e inabilidade em defender o regime. Neste panorama o legitimismo revela-se como o farol da ordem e da tradição, um regresso às raízes algo utópico, acalentado por ideologias nacional-socialistas que entretanto entram em voga pela Europa.

Mas a causa liberal não morreu. Ela subsiste ainda apesar de ser discreta. Com isto não quero dizer que ainda hajam absolutistas nos dias de hoje. Existe uma elite intelectual nos círculos monárquicos que são confessamente liberais, entre eles Augusto Ferreira do Amaral (barão de Oliveira Lima) e Luís Aguiar Santos.

Simplesmente a rixa entre lealistas e legitimistas transpôs-se agora para a dualidade tradicionalismo versus modernismo. E isto define-se na postura e na defesa dos valores que os monárquicos defendem.

Ocorre-me neste momento a dissidência organizada por Nuno da Câmara Pereira tendo como pretendente principal ao trono português, o seu primo o duque de Loulé. Isto é reflexo dum mau-estar já imbuído e, desde há muito tempo, presente no meio monárquico. O ataque vitriólico e pessoal que o Sr Pereira lançou contra o príncipe D. Duarte é um sinal de inquietitude entre os círculos tradicionalistas. Por monárquico tradicionalista entenda-se fadista, marialva, machista, misógeno, temente a Deus e defensor da família (no pior sentido). Designadamente com doutrinas que oscilam entre a social-democracia e municipalismo até à defesa da monarquia católica, "orgânica" e integralista defendendo o velho contratualismo entre o poder monárquico e os cidadãos, define-se assim o "monárquico tradicionalista". Esta descrição é em quase tudo um estereótipo, um lugar comum.

Lançando os olhos pelo livro "Usurpador" vislumbram-se ataques pueris à pessoa de Sua Alteza Real, como a possibilidade de um genro seu pertencer a uma loja maçónica e de D. Isabel descender dum republicano notável no seu tempo, o visconde da Ribeira Brava e há também a história anedótica de como Nuno da Câmara Pereira decidiu auto-intitular-se Comendador-Mór duma ordem honorífica criada durante o absolutismo.

Se calhar estou a ir longe de mais ao dizer isto mas parece-me irónico que o herdeiro da linha miguelista é hoje liberal e o herdeiro da linha liberal (Loulé) o tradicionalista.

Sobre a pretensão em si do duque de Loulé já discuti aqui. Julgo que numa perspectiva séria tem algum peso mas na letra da lei é a de D. Duarte que tem mais força. Assim o julgaram também os monárquicos em 1932 e outra vez em 1976.

A clivagem lealista/legitimista ainda existe no meio monárquico e ainda está bem acesa. Não beneficia a causa mas persiste.

domingo, 20 de julho de 2008

Os dias loucos do PREC

Comprei hoje este livro. É um apanhado fotojornalístico do período pós-revolucionário e que relata muitas barbaridades da esquerda.
Na altura em que ainda existia a guerra fria esquerda que se prezasse era extremista.


Fiquei então a saber que em '75 se criou um "Movimento para a contracepção e aborto livres e gratuitos" (MCALG), uma delegação do MFA visitou Cuba, houve tentativas frustradas de ilegalizar o CDS e o PDC e um milhão de hectares de terra esteve em vias de expropriação - "a terra a quem trabalha". Rosa Coutinho entrega Angola de mão beijada e Spínola é forçado a fugir do país.

A herdade do duque de Lafões é invadida por populares de Aveiras. Este assunto foi abordado num documentário excelente chamado "Torre Bela" de Thomas Harlan.

Tudo coisas feitas em nome duma falsa promessa de liberdade e que marcaram fortemente o país.

domingo, 13 de julho de 2008

Lei da Memória

Fernando Rosas, professor catedrático na FCSH, uma das maiores autoridades históricas do Estado Novo, tem também um pequeno defeito. Uma mácula no seu currículo. É um Trotskyista radical.



O debate sobre a criação do museu Salazar dividiu esquerda e direita na Assembleia como seria de esperar.

Mas para qualquer pessoa comum é difícil compreender as razões apresentadas por Fernando Rosas. O espólio museológico é insuficiente ? Tornar-se-ia um santuário obsoleto para a extrema-direita ?

Já tive oportunidade de afirmar no Fórum Nacional (sim já frequentei esse antro de radicais) e posso dizê-lo de novo. Ninguém tinha ouvido falar de Santa Comba Dão até surgir o ditador. A terra, goste-se ou não, ficou inevitavelmente ligada a Salazar e está no seu direito que, com o consentimento dos herdeiros actuais, a autarquia decida explorar o potencial museológico deste espólio pessoal doado, para seu benefício.

Santuários para a extrema-direita existirão sempre, lembro-me da peregrinação ao túmulo de Salazar, um evento macabro mas que já mereceu lugar nos noticiários.

É ingénuo pensar que o efeito de criar tal museu seria de dissuadir as gentes locais de nutrirem sentimentos democráticos. Está-se a colocar intenções no acto onde não as há. Será que todos os que visitam o palácio da Ajuda são monárquicos ? Quem me dera ! Será que uma exposição de Saramago é só para comunistas ?

Agora a verdadeira cereja no bolo. Uma Lei da Memória. Para que as pessoas nunca se esqueçam. Faz-me lembrar aqueles Ministérios da Informação existentes nos países de terceiro mundo. A informação é fornecida por órgãos institucionais para que esta não seja "alterada", não vá uma pessoa mais incauta perceber que o Estado Novo beneficiou de períodos de apoio popular ou que o presidente do conselho tenha feito alguma coisa de bom para o país.

Quando a história é contada de uma perspectiva maniqueísta das duas uma: ou é ensinada a crianças ou destina-se a manipular as pessoas.